Percentual de crianças e adolescentes obesos aumentou 10 vezes

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Percentual de crianças e adolescentes obesos aumentou 10 vezes

Estilo de vida moderno contribui para a obesidade infantil. Exercícios físicos e disciplina alimentar são essenciais no combate ao problema

Quando o assunto é obesidade infantil, não tem vacina, remédio ou fórmula mágica que resolva. No Brasil, 13% dos meninos e 10% das meninas entre 5 e 19 anos sofrem com obesidade ou sobrepeso. Os dados do Ministério da Saúde se juntam a informações de todos os lugares do mundo: o assunto é tratado como epidemia e, para combatê-la, a palavra de ordem é disciplina.

Para Arnaldo Cassilha (CRM 2499 PR), médico pediatra, a saúde dos pequenos é afetada pelos hábitos mais simples da rotina familiar. “A falta de exercícios e de uma alimentação equilibrada são os principais fatores que levam ao sobrepeso nas crianças. O cenário se agrava pelo estilo de vida moderno, com a ampla oferta de produtos hipercalóricos nas prateleiras de supermercados e o sedentarismo. As brincadeiras ao ar livre, nas praças, que gastavam energia, foram substituídas pelo vídeo game e televisão”, argumenta Cassilha.

Sinais de alerta estão em todo o mundo

Falar da obesidade infantil como epidemia não é exagero. Em 2017, pesquisadores da Organização Mundial de Saúde (OMS), junto com o Imperial College de Londres, conduziram um estudo epidemiológico e descobriram que o percentual de crianças e adolescentes obesos aumentou oito vezes em quatro décadas. A OMS coletou dados de 31,5 milhões de pessoas na faixa etária de 5 a 19 anos em 200 países. Com um histórico começando em 1975, os pesquisadores avaliaram, ano a ano, a evolução do ganho de peso. Há quatro décadas, as curvas jamais deixaram de ascender em todo o globo. De 2000 para cá, os países desenvolvidos – incluindo os Estados Unidos – começaram a reduzir o ritmo de crescimento, embora a incidência da obesidade entre jovens continue aumentando. Ao mesmo tempo, na América Latina, o problema ainda está muito acelerado. Nas últimas quatro décadas, o número de crianças e adolescentes de até 17 anos com sobrepeso aumentou em 10 vezes.

Obesidade na infância e prejuízos à saúde

O pediatra Arnaldo Casillha explica que ficar de olho no peso das crianças é uma tarefa diária. Alguns quilinhos a mais já são suficientes para acender o sinal amarelo. “O sobrepeso está um degrau abaixo da obesidade e leva a diversas patologias como hipertensão, diabetes, problemas osteoarticulares, hiperlipidemia (aumento no colesterol e triglicerídeos), gordura no fígado, apneia e refluxo gástrico. Nos adolescentes, ainda pode desencadear AVC e infarto”, alerta.

Mais do que isso, tem relação direta com problemas de autoestima na maior parte dos casos. Transtornos psicológicos e diminuição da qualidade de vida podem surgir ainda na infância, diz Casillha, que define a obesidade como “condição na qual o excesso de peso corporal afeta negativamente a saúde e o bem-estar dos indivíduos”. Ele acrescenta mais um dado preocupante: no Brasil, uma em cada três crianças de 5 a 9 anos estão acima do peso. “As consequências são graves e chegam à saúde pública. Desde a infância até a vida adulta, os obesos representam um aumento na carga no sistema de saúde em termos médicos, em relação ao risco de morbidades e mortalidade”, diz.

Acompanhamento multidisciplinar

Mova-se. Este é o nome do programa do Centro de Qualidade de Vida criado para colocar crianças e adolescentes em movimento contra a obesidade. Com encontros periódicos, tem duração de quatro meses e envolve uma equipe multidisciplinar, que orienta filhos e pais em busca de um estilo de vida mais saudável.

Na primeira edição, foram 35 participantes e muitos resultados para comemorar: 63% deles mudaram a alimentação e 68% iniciaram alguma atividade física durante o Mova-se. Cintia Dilay, gerente do CQV, conta mais: “ao todo foram eliminados 33 quilos. A perda de peso é uma consequência natural das ações do Mova-se. O nosso foco principal é promover mudanças positivas na vida das famílias, de forma integrada e humanizada”.

As irmãs gêmeas Jamile e Joana Cruzzetta são um exemplo da efetividade do programa nos hábitos de toda a casa. Jamile perdeu seis quilos desde fevereiro e, junto com a irmã, participou da Corrida Clinipam – 1ª Etapa do Circuito de Corrida de Rua Infantil, em abril. Medalha no peito, saúde na vida; as duas contam que o Mova-se foi surpreendente.“Aprendemos muito com toda a equipe, formada por médicos, psicólogos, educadores físicos e nutricionistas. Mas o que mais gostei foi a corrida. Não quero mais parar”, diz Joana. Para Jamile, este também foi um ponto alto do programa: “a corrida me ensinou que não podemos desistir e que vale a pena adotar uma vida mais saudável”, conclui.

A mãe, Elmari Cruzzetta, acompanhou o desempenho das filhas na corrida e vê o Mova-se como um importante estímulo: “antes, elas antes estavam no grau 1 de obesidade. Agora, seguindo o programa, já passaram para apenas sobrepeso. Estamos muito felizes com a evolução. A corrida foi festa para o corpo e para o psicológico. São batalhas que temos vencido com a ajuda de toda a equipe”.

Os pais desempenham um papel importante em todo o processo de perder peso. É o estado nutricional deles que determina, muitas vezes, o peso dos filhos – seja em relação a questões genéticas ou ambiental/comportamental. “As crianças e adolescentes seguem padrões e, se toda a família não mudar os hábitos em conjunto, o insucesso do tratamento é certo. No Mova-se, pais e filhos aprendem que a qualidade de vida depende de alimentação equilibrada e prática de exercícios físicos. A reeducação alimentar é implantada de forma gradativa: negociando a substituição dos alimentos, despertando novos prazeres e sugerindo novos alimentos que sejam saudáveis”, encerra Arnaldo Cassilha.

Fonte: G1/Clinipam