Especialista fala sobre ganho de peso nas férias escolares

Especialista fala sobre ganho de peso nas férias escolares

Falta de atividades físicas e aumento do consumo de calorias refletem na balança

Além de encontrar programas bacanas para entreter os filhos, outra preocupação toma conta dos pais durante as férias de julho/agosto: o ganho de peso nas crianças. Entre os principais motivos estão o aumento do apetite provocado pelo clima frio, o alto consumo de alimentos industrializados e a redução das atividades físicas. Esses fatores corroboram para um cenário nacional preocupante. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 33,5% das crianças entre 5 e 9 anos estão acima do peso e 14,3% em situação de obesidade.

Durante as férias, há uma quebra da rotina diária, que normalmente é pautada por atividades físicas praticadas na escola e em refeições regradas. O ganho de peso começa quando há essa desregulação. “Nesse período de recesso, as crianças modificam seus hábitos, dormindo e acordando fora do horário normal e se alimentando em períodos incompatíveis com a refeição do horário – tomando café da manhã na hora do almoço, por exemplo”, explica a endocrinologista Christiane Carvão, do Centro de Estudos e Pesquisas da Mulher (CEPEM). Isso promove uma alteração metabólica no organismo da criança que, junto com o alto consumo calórico, contribui para o aumento de peso.

De acordo com a especialista, mesmo nessa época de descanso, é importante tentar manter a rotina alimentar. “Uma das principais razões para o ganho de peso no recesso escolar é quando as calorias consumidas, principalmente entre o almoço e o jantar, estão em alimentos ricos em gordura e açúcar, como junk foods, salgadinhos industrializados, sucos de caixinha e doces em geral”, salienta. Diariamente, o cardápio da criança deve continuar a prezar frutas, verduras, legumes e cereais integrais.

Os meses de julho e agosto ainda têm como outro fator agravante o clima mais frio. “Por meio da alimentação, organismo busca as calorias necessárias para manter a temperatura corporal equilibrada. Com isso, há um aumento considerável no apetite”, ressalta Dra. Christiane. A baixa temperatura também é um estímulo para o sedentarismo. Devido à grande opção de aparelhos tecnológicos e o friozinho do inverno, ficar em casa se tornou uma atração a mais para se fazer durante o recesso escolar. “Aqueles cuidam das crianças devem motivar atividades que demandam movimento, de preferência ao ar livre. É preciso também usar a criatividade para que os pequenos brinquem mais e encontrem mecanismos para queimar calorias, mesmo que seja dentro de casa”, afirma a endocrinologista, que recomenda limitar o uso das telas por, no máximo, uma hora por dia.

O cuidado com a alimentação infantil deve fazer parte da rotina de todos os pais. Estudos mostram que crianças que consomem doces e frituras têm tendência a se viciarem nesses alimentos durante a vida adulta. Além disso, o ganho de peso – e possível obesidade – pode acarretar diversos problemas na vida dos pequenos. “Normalmente, essas crianças tendem a apresentar baixa autoestima e dificuldade de interação social, sendo vítimas de bullying e de isolamento. Em termos de saúde, podem ter doenças respiratórias, dores articulares, hipertensão arterial, dislipidemias e até diabetes tipo 2”, aponta a médica. A melhor forma de prevenção é o exemplo dado pelos pais, que deve contar com uma boa alimentação e prática regular de atividades físicas.

Fonte: Portal Eu, Rio