Comer alimento fora do prazo de validade faz mal?

Comer alimento fora do prazo de validade faz mal?
O grau de severidade da infecção depende do quadro do paciente

Além de ficar de olho na data de vencimento, as condições de armazenamento da comida também precisam ser levadas em consideração

O ator Carlos Alberto de Nóbrega, 83 anos, passou por um susto no último final de semana. Após comer um iogurte com o prazo de validade vencido, ele foi internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para tratar uma infecção generalizada. O caso traz um alerta para que o consumidor preste atenção às informações dadas pelos fabricantes, porque garantem a segurança de consumo do alimento, bem como sua qualidade. Portanto, devem ser cumpridas.

Ana Beatriz de Oliveira, professora no Serviço de Nutrição do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), explica que é possível dividir os alimentos entre perecíveis e estocáveis. O primeiro grupo diz respeito a carnes, ovos, hortaliças, legumes, frutas, laticínios e queijos frescais – como a ricota. Este segmento está mais sujeito à contaminação, em função da maior presença de água e de nutrientes em sua composição. Esse mix propicia a proliferação de bactérias.

— A água usada pelos produtores de hortifruti pode estar contaminada e isso prejudica a qualidade da comida. Em alimentos secos, como leite em pó, por exemplo, que tem pouca água em sua composição, essas chances caem drasticamente. Ao contrário do que é visto no leite integral, que é composto por muita água. Já os estocáveis, como massas e biscoitos, podem perder suas características nutricionais, mas raramente serão fonte de contaminação — ressalta.

Mais do que ficar atento ao prazo ao prazo de validade, é preciso ter em mente bons hábitos de higiene das mãos para lidar com a comida, mas também as boas práticas de armazenamento. Isso porque algo, mesmo dentro da data de consumo, pode ser contaminado por bactérias, caso não esteja bem acondicionado.

A professora no Serviço de Nutrição do HCPA destaca ainda que determinados alimentos, já contaminados por micro-organismos, não apresentam alteração de textura, cor, sabor ou cheiro, mas são extremamente perigosos para a saúde.

— A salmonela, por exemplo, comumente encontrada no ovo, não altera a aparência da salada de maionese, mas interfere na qualidade do alimento, podendo causar uma toxi-infecção alimentar. Ou seja, além de não consumir este tipo de mantimento cru, não se pode comer nada fora do prazo de validade. Essa é a opção mais segura — pontua a professora.

Pessoas debilitadas podem sofrer infecção generalizada

A má qualidade de produção ou fabricação do alimento, somada ao acondicionamento inapropriado, resultam em náuseas, dores abdominais, vômito, diarreia e infecções que variam de grau de acordo com o quadro do paciente, observa Cristiane Tovo, gastroenterologista da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.

— A pessoa pode desenvolver uma infecção intestinal causada por vírus ou bactéria. Elas, geralmente, são autolimitadas e são manejadas e controladas por meio do uso de antibiótico. Entretanto, pode acontecer que pessoas de idade avançada, diabéticos, oncológicos ou com problema renal crônico tenham um grau de comprometimento imunológico maior, por estarem debilitadas. Nessas situações, o quadro pode evoluir para uma infecção generalizada — afirma Cristiane.

A gastroenterologista reforça que respeitar o prazo de validade e fazer o correto armazenamento dos mantimentos é a melhor opção sempre. Contudo, ela aponta alguns indicadores de qualidade da comida:

— Se o alimento apresentou alteração de coloração ou indício de mofo, se o cheiro está azedo e se sua textura está espessa, talhada ou granulada, é melhor se desfazer daquela comida.

Por Iarema Soares
Zero Hora Saúde