Perguntas e Respostas

A cirurgia bariátrica é um método bastante eficaz para perda de peso. Entretanto, é preciso conhecer antes suas indicações, riscos e benefícios. Criamos esta página com perguntas e respostas sobre a cirurgia bariátrica para esclarecer as principais dúvidas em relação a este assunto.

Cirurgia Bariátrica, também conhecida como Redução de Estomago (gastro= estômago e plastia=reparação plástica da forma) ainda Cirurgia da Obesidade, é o procedimento cirúrgico que tem por objetivo reduzir o peso de pessoas com índice de IMC elevado, que segundo a OMC (Organização Mundial a Saúde) possuem índices acima de 35Kg/m2 e que possuam complicações associadas como apneia do sono, hipertensão arterial, diabetes, aumento de gorduras no sangue e problemas articulares, ou para pacientes com IMC maior que Kg/m2 que não tenham obtido sucesso na perda de peso após dois anos de tratamento clínico (incluindo o uso de medicamentos). É a conhecida OBESIDADE MÓRBIDA, na qual os riscos associados a esse peso elevado podem agravar o estado de saúde do paciente, sendo estes maiores que o risco da cirurgia em si.

Sim. A cirurgia bariátrica é um procedimento complexo e apresenta risco de complicações. A intervenção impõe uma mudança fundamental nos hábitos alimentares dos indivíduos. Portanto, é primordial que o paciente conheça muito bem o procedimento cirúrgico e quais os riscos e benefícios da cirurgia. Desta forma, além das orientações técnicas, o acompanhamento médico, nutricional, psicológico e o apoio da família são aconselháveis em todas as fases do processo.

Existem três tipos básicos de cirurgias bariátricas: 1) restritivas; 2) mistas; e 3) disabsortivas.

As cirurgias que apenas diminuem o tamanho do estômago são chamadas do tipo restritivo (Banda Gástrica Ajustável, Gastroplastia Vertical com Bandagem ou Cirurgia de Mason e a Gastroplastia Vertical em “Sleeve”). A perda de peso se faz pela redução da ingestão de alimentos.

Existem também as cirurgias mistas, nas quais há a redução do tamanho do estomago e um desvio do trânsito intestinal. Há, além da redução da ingestão, a diminuição da absorção dos alimentos.

As cirurgias mistas podem ser predominantemente restritivas (derivação Gástrica com e sem anel) e predominantemente disabsortivas (derivações bileopancreáticas,chamada de cirurgia de Scopinaro). Neste caso, o paciente tem mais liberdade de comer maior quantidade de alimentos, já que não há grande diminuição do estômago que fica com 2/3 do seu tamanho com grande desvio do alimento, que vai para o intestino grosso.

Em todos os casos o paciente deverá, obrigatoriamente, ter pleno conhecimento das características, necessidades, riscos e limitações de cada cirurgia.

Antes da cirurgia todo paciente precisa ser avaliado individualmente, devendo ser submetido a uma avaliação clínico-laboratorial que inclui, além da aferição da pressão arterial, uma série de exames como: dosagens da glicemia, lipídeos e outras dosagens sanguíneas, avaliação das funções hepática, cardíaca e pulmonar que irá avaliar também a função respiratória. A endoscopia digestiva e a ecografia abdominal são importantes procedimentos pré-operatórios, com pesquisa de H. Pylori. A avaliação psicológica também faz parte dos procedimentos pré-operatórios obrigatórios. Pacientes com doença psiquiátrica grave devem ser tratados antes da cirurgia.Pode ocorrer acontra-indicação, devido a doenças graves como cirrose hepática, doenças renais, psiquiátricas, vícios (droga, alcoolismo), disfunções hormonais, entre outras, que somente o médico está apto a avaliar o risco de submeter o paciente à cirurgia.

Caso o médico indique o procedimento, o paciente deverá participar de reuniões com uma equipe multidisciplinar e com pacientes já operados para poder ter certeza da sua decisão.

Na maioria dos pacientes, a cirurgia bariátrica, além de levar a uma perda de peso grande, traz benefícios no tratamento de todas as doenças relacionadas à obesidade. É possível uma melhora importante ou mesmo remissão do diabetes, do controle da pressão arterial, dos lipídeos sanguíneos, dos níveis de ácido úrico e alívio das dores articulares.

A equipe multidisciplinar é uma equipe de profissionais com vasta experiência no trato com o paciente bariátrico, que possui conhecimento aprofundado em todas as etapas do pré, cirurgia e pós procedimento, pois a experiência em tratar os pacientes que se submetem à este tipo de cirurgia demanda um cuidado individualizado que gera um conhecimento amplo de todas as situações, questões físicas e psíquicas que envolvem todo o processo.

Estes profissionais estão aptos à contribuir sobremaneira para o sucesso da cirurgia e na obtenção, por parte do operado, da conquista da tão esperada redução grande de peso e eliminação ou melhora do seu quadro de saúde. O ideal é que seja composta por cirurgiões, endocrinologista, nutricionista, fisioterapeuta, psiquiatra ou psicólogo ou os dois, pode também participar um profissional da área da Educação Física. A avaliação do Endocrinologista e do Psicólogo ou Psiquiatra é obrigatória, então todo paciente que irá se submeter à cirurgia bariátrica têm de passar por uma entrevista prévia com estes profissionais.

Qualquer pessoa que faz uma cirurgia corre riscos, mas o obeso, por exemplo, tem 30% a mais de chance de ter embolia pulmonar do que um paciente que está em seu peso ideal. Quando a pessoa está com IMC muito acima de 40 o médico pede que ele perca um pouco de peso. Caso o paciente tenha alguma doença que necessite tratamento e controle prévio a cirurgia será adiada até que se obtenha a melhor condição clínica. Isso também se reflete no quadro de saúde geral do paciente. E caso o médico observe que os fatores de risco podem ser controlados com uma perda de peso para melhorar o quadro clínico, este paciente deverá passar por um período de emagrecimento para que seja submetido à cirurgia. O que gera ansiedade em muitos pacientes, pois temem não conseguir perder peso para a cirurgia, pois acreditam que estão fazendo a cirurgia exatamente por que não conseguem perder peso, mas o que o paciente deve entender é que independente da vontade trata-se de uma cirurgia que demanda um estado de saúde satisfatório para o paciente, que minimize os riscos de problemas graves no pós-operatório. Mas o médico e sua equipe estão preparados para auxiliar estes pacientes a ter sucesso nessa perda de peso pré-operatória, inclusive com medicação que auxilie neste emagrecimento.Muitos pacientes conseguem obter uma perda da totalidade do excesso de peso quando têm uma boa aderência às orientações da equipe de nutricionistas, mantêm suas consultas periódicas para monitorização da perda de peso, e frequentam um programa de exercícios físicos com a equipe de profissionais de educação física.

Muitos pacientes que precisam emagrecer para fazer a cirurgia relatam que se sentiram seguros em passar por esse processo, estabilizar seus problemas de saúde associados e que este período serviu como um “teste” físico e psíquico para o sucesso da cirurgia, então os benefícios são diversos para estes pacientes, que são a minoria, que precisam deste emagrecimento.

Além do procedimento cirúrgico em si, sua condição física e médica influenciam no risco. É preciso discutir as potenciais adversidades com o seu cirurgião. Alguns dos riscos da cirurgia bariátrica incluem: deficiências nutricionais; sangramento; infecções; mortalidade associada à insuficiência respiratória ou coágulos no sangue; embolia pulmonar.

O tempo no hospital depende do tipo de procedimento realizado. O retorno ao trabalho deve ser avaliado de acordo com os requisitos do serviço executado. A maioria dos pacientes é capaz de voltar ao trabalho cerca de 15 dias após a cirurgia.

Cirurgia bariátrica não é um processo rápido. A cirurgia em si dura apenas algumas horas. Mas, muitas vezes, se levam meses ou até anos para se obter aprovação médica para a cirurgia. Após o procedimento, leva-se ainda cerca de um ano para alcançar o objetivo de perda de peso e uma vida toda para mantê-lo. Lembre-se que a cirurgia bariátrica é uma ferramenta para diminuir o seu peso, não uma garantia de um corpo magro para sempre.

A cirurgia bariátrica é uma operação que muda a forma como o corpo absorve alimentos. Indivíduos que se submetem à cirurgia bariátrica normalmente perdem uma grande quantidade de peso (entre 40% – 75% do excesso de peso corporal, dependendo do procedimento) em dois a três anos após a cirurgia.Tempo e paciência são essenciais para uma recuperação completa. A cirurgia da perda de peso requer um compromisso ao longo da vida para seguir as diretrizes dietéticas, com uso de vitaminas e suplementos minerais, bem como as mudanças de estilo de vida para manter a perda de peso.

É após os procedimentos que as principais dúvidas sobre a cirurgia bariátrica surgem. Por isso ressaltamos que o contato frequente com a equipe médica é fundamental.

Sim, pode ocorrer! O paciente precisa seguir a risca todas as orientações médicas de sua equipe, e uma delas é fazer exercício físico sempre, para o resto da vida. A cirurgia não é mágica, é apenas uma forma para ajudar a emagrecer, mas manter-se magro vai depender se seu esforço e mudança de hábitos, mudança de vida.

Essa cirurgia não requer repouso absoluto, principalmente quando for por vídeolaparoscopia, então o médico solicita que o paciente faça leves caminhadas pelos corredores do hospital já no dia seguinte à cirurgia, em alguns casos logo após o paciente se recuperar da anestesia. É recomendado que se caminhe todos os dias um pouco, devagar, sem esforço, e não passe o dia em repouso, no leito, isto porque o paciente fazendo breves e leves caminhadas logo após a cirurgia ajuda na recuperação e reduz os riscos de edema e embolia pulmonar.

O momento certo de começar a praticar exercício físico vai depender do médico e de sua evolução. Na maioria dos casos o médico libera o paciente para praticar exercícios entre um mês a 45 dias, desde que não forçe o abdomen. E em regra o médico solicita que o paciente procure um profissional da área da Educação Física, que estará apto a passar exercícios apropriados ao paciente em recuperação de cirurgia bariátrica. Caso sentisse dor era para evitar. Com 3 meses geralmente o médico pode liberar até pra abdominais. Nunca se deve fazer exercício físico sem autorização do médico.

Durante a dieta inicial do pós-cirúrgico, que é feita em pequenas porções por curtos períodos de tempo, iniciando em dieta líquida, seguindo para a pastosa e semi-sólida os pacientes, em quase sua totalidade, não sentem fome alguma.

Após a liberação do nutricionista para a dieta normal com alimentos sólidos, nos primeiros meses,a maioria dos pacientes relata que praticamente não sente fome. Mas com o passar do tempo o organismo se adapta e o paciente passa a sentir fome em intervalos de tempo, geralmente entre duas a três horas, o que é compreensível, pois a ingesta de alimentos é bem reduzida e a redução do estômago faz com que o paciente se satisfaça com pouca comida.

A cirurgia bariátrica é uma mudança total nos hábitos alimentares. Muitos pacientes obesos relatam que comem demasiadamente rápido antes da cirurgia, muitos não fazem a correta mastigação dos alimentos. Este é um dos motivos mais comuns para o paciente sofrer com vômitos após a cirurgia.

Durante a alimentação, o paciente que passou pelo processo deve se conscientizar de que aquele momento deve ser “sagrado”, ou seja, é prudente que faça a refeição com calma, em tempo suficiente e com repetitiva mastigação, até que o alimento quase se liquidifique na boca para ai sim ser engolido. O nutricionista que acompanha o paciente irá ensinar como deve ser o processo. Se o operado insistir em comer rapidamente e sem a mastigação suficiente é comum que ocorram vômitos. Outro motivo comum para o vômito é o paciente se alimentar além do que necessita.

O paciente pós-bariátrico deve comer entre 200 a 250 gramas de alimento por cada refeição, esta é uma média, somente o médico e o nutricionista que acompanham o paciente irão informar estas medidas corretamente de acordo com cada caso, mas comendo além da porção indicada, forçando o estômago a receber uma porção maior de alimento do que suporta, este excesso pode retornar e gerar o vômito.

O paciente não deve nunca forçar o vômito, caso se sinta desconfortável deve aguardar e se o organismo definir irá expelir o excesso de comida ingerida. Outra causa muito comum de vômito após a cirurgia é o dumping que muitos pacientes relatam sofrerem algumas vezes, esse “dumping” é uma sensação desconfortável que ocorre em alguns momentos, de acordo com o tipo de alimento que o paciente ingere. Alimentos muito ricos em açúcar e gorduras pode levar a este processo que passa em pouco tempo mas que é desconfortável e deve ser evitado.

Outra causa de vômito é o paciente comer em momentos de estresse ou alto grau de ansiedade, quando o paciente estiver num momento assim deve se acalmar e esperar estas sensações passarem para depois se alimentar, pois podem gerar vômitos. Concluindo, observa-se que o paciente compreendendo estas situações, que podem facilmente serem controladas, pode vir a não sofrer praticamente nada com vômitos, vai depender do grau de comprometimento de cada operado para compreender seu organismo e suas limitações à quantidade e qualidade dos alimentos ingeridos.

Todo operado está sujeito a ter a síndrome de dumping. O consumo de alimentos calóricos doces e gordurosos pode causá-lo. O Dumping acontece quando, depois de beber ou comer, o paciente apresenta taquicardia, sudorese, tontura, queda da pressão arterial e diarreia. Qualquer combinação destes sintomas pode ocorrer em intensidades variadas, dependendo do que a pessoa comeu.

Queda de cabelo e unhas quebradiças são sintomas comuns durante qualquer processo de emagrecimento, seja por cirurgia, dieta ou em decorrência de doenças que “consomem” a pessoa (como o câncer, por exemplo). No caso do paciente bariátrico, esses sintomas não devem persistir por mais de quatro meses.

Se não houver acompanhamento com a equipe multidisciplinar, o paciente pode apresentar déficit de vitaminas e proteínas, o que pode levar a estes sintomas. Nesses casos, é preciso rever a alimentação com o nutricionista e, se necessário, iniciar suplementação vitamínica oral ou injetável.

Os riscos são os mesmos de outras cirurgias abdominais, por isso a bariátrica deve ser feita em um hospital com estrutura adequada. Nas cirurgias disabsortivas é comum haver falta de nutrientes devido à baixa ingestão de alimentos e absorção de nutrientes e é necessária a suplementação vitamínica. Mas, raramente, a cirurgia bariátrica pode gerar complicações como infecção, tromboembolismo (entupimento de vaso sanguíneo), deiscências (separações) de suturas, fístulas (desprendimento do grampo), obstrução intestinal, hérnia no local do corte, abscessos (infecções internas) e pneumonia.

Nas cirurgias restritivas o efeito da pílula não é reduzido, mas nas cirurgias disabsortivas pode ser que a pílula anticoncepcional tenha eficácia reduzida. Em muitos casos, recomenda-se a utilização de dois métodos anticoncepcionais concomitantamente, mas essa é uma avaliação que deve ser feita caso a caso pelo ginecologista, que irá indicar o melhor preventivo, o uso do DIU por exemplo. Mulheres que realizam cirurgia bariátrica devem aguardar pelo menos de 15 a 18 meses para engravidar. A grande perda de peso logo após a cirurgia pode prejudicar o crescimento do feto.

Geralmente sim, o maior problema destas cirurgias a longo prazo é a desnutrição. Entenda-se aqui que um déficit de vitamina B12, embora não haja déficit de outras vitaminas ou de algum macronutriente. Casos de desnutrição são comuns.

Em pacientes com desnutrição grave é necessária a internação. É obrigatória a suplementação com vitaminas e, frequentemente, deve-se repor mais a B12. O ferro também é necessário com frequência. Reposições vitamínicas são feitas após a cirurgia e mantidas por tempo indeterminado.

Muitos pacientes deixam de fazer uso de medicamentos que necessitava antes da cirurgia como remédios para o coração e diabetes, mas somente o médico poderá recomendar ou retirar o uso desses medicamentos.

Em pacientes que apresentaram uma perda de peso muito grande, uma cirurgia plástica para retirada do excesso de pele pode ser necessária, pois em certas áreas do corpo pode haver um acúmulo de pele indesejável e incômoda, desde esteticamente até funcionalmente. A mesma poderá ser feita quando a perda de peso estiver totalmente estabilizada, ou seja, depois de aproximadamente dois anos.

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