Cirurgia bariátrica é eficaz para tratar hipertensão associada à obesidade

Cirurgia bariátrica é eficaz para tratar hipertensão associada à obesidade

A obesidade é um dos grandes desafios da saúde pública mundial – só no Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde, um a cada cinco brasileiros sofre da doença. Pesquisadores empenham esforços contínuos em encontrar diferentes técnicas para o combate da obesidade, já que a doença ameaça a saúde de tanta gente.

Pesquisadores empenham esforços contínuos em encontrar diferentes técnicas para o combate da obesidade, já que a doença ameaça a saúde de tanta gente.

Entre os problemas que o peso excessivo traz, está a pressão alta, já que está associado ao aumento de insulina plasmática — hormônio que favorece a absorção de sódio pelos rins, o aumento do volume sanguíneo circulante e a atividade vascular.

Agora, uma nova pesquisa que estuda essa relação aponta que a cirurgia bariátrica é uma alternativa eficaz no tratamento da hipertensão associada à obesidade. O responsável pela análise é o cirurgião brasileiro Carlos Schiavon, e os resultados foram publicados no periódico Hypertension.

Como o estudo foi feito

A equipe reuniu 100 pacientes hipertensos com obesidade grau 1 ou 2 (IMC entre 30 e 39,9) e que estavam recebendo no mínimo 2 anti-hipertensivos em dose máxima ou mais do que 2 em doses moderadas.

Os pacientes foram divididos em dois grupos de forma aleatória: um para a manutenção do tratamento clínico associado ao aconselhamento nutricional e cardiológico e outro para realização do Bypass em Y de Roux (cirurgia bariátrica e metabólica) junto com tratamento clínico. O acompanhamento dos pacientes será de 5 anos.

O que os resultados mostram? Os resultados após o primeiro ano de acompanhamento mostraram que 83,7% dos pacientes do grupo operado conseguiram reduzir em pelo menos 30% o número de medicações em uso mantendo sua pressão controlada. “Além disso, 51% dos pacientes operados ficaram sem medicações e mantiveram a pressão controlada – resultado positivo que nenhum paciente em tratamento clínico conseguiu”, explica Schiavon.

O cirurgião também aponta que houve melhora de outros indicadores como redução do LDL colesterol, redução da glicemia, redução de marcadores inflamatórios (proteína C reativa ultra-sensível) e redução do risco cardiovascular medido pelo Escore de risco de Framingham.

Qual é a importância do estudo para a população geral? “O aumento da incidência da hipertensão e da obesidade na população estão relacionados, e cirurgia bariátrica e metabólica é mais uma opção de tratamento para esta população. Associando a cirurgia ao tratamento clínico teremos um aumento no sucesso do tratamento destes pacientes e provavelmente uma redução de eventos cardiovasculares como AVC e IAM, cuja principal causa é a hipertensão”, aponta Schiavon.

Por Giulia Granchi
Portal Uol